top of page

A história e o desenvolvimento da astrologia nos últimos 3000 anos

há 11 minutos
6 min de leitura

CRONOLOGIA DA ASTROLOGIA: DA BABILÔNIA À ASTROLOGIA MODERNA

~3000–1000 a.C. | Mesopotâmia

Observação do céu:


As primeiras tradições mesopotâmicas desenvolveram uma observação sistemática do Sol, da Lua, dos planetas visíveis e das estrelas. Fenômenos celestes eram relacionados a acontecimentos terrestres, especialmente questões envolvendo reis, guerras, colheitas, doenças e o destino do reino.

Registro:


Essas observações começaram a ser registradas em tábuas de argila. Um dos grandes legados mesopotâmicos foi justamente transformar a observação do céu em uma tradição contínua de registro e comparação.


Séculos VII–IV a.C. | Babilônia

Nascimento do horóscopo individual:


A astrologia deixa progressivamente de estar voltada apenas para reis e acontecimentos coletivos e começa a produzir horóscopos individuais.

Um dos horóscopos individuais mais antigos conhecidos data de 410 a.C.

Aqui começa a tomar forma algo muito mais próximo do que hoje chamamos de mapa natal.


Séculos III–I a.C. | Mundo helenístico

A grande transformação:


A tradição babilônica encontra a matemática e a filosofia gregas.

É nesse período que se consolida a astrologia helenística, com:

• os 12 signos


• os sete planetas visíveis


• Ascendente


• casas


• aspectos


• dignidades


• triplicidades


• termos


• decanatos


• técnicas de previsão


• horóscopo natal

A astrologia passa a funcionar como um sistema interpretativo bastante sofisticado, e não simplesmente como uma coleção de presságios.


Século II d.C. | Cláudio Ptolomeu, Alexandria

A sistematização

Ptolomeu reúne e organiza uma enorme quantidade de conhecimento astronômico e astrológico anterior.

Na astrologia, sua obra fundamental é o Tetrabiblos, que sistematiza grande parte da tradição helenística e se torna uma das obras mais influentes da história da astrologia.

Ao mesmo tempo, o Almagesto estabelece uma sofisticada estrutura matemática para calcular os movimentos celestes.

Ptolomeu não inventou toda a astrologia. Seu grande mérito foi organizar, sistematizar e racionalizar uma tradição que já existia.


Séculos IV–VII | Antiguidade tardia e mundo romano

A astrologia se espalha pelo Império Romano e deixa de ser exclusivamente uma prática de sacerdotes e cortes.

A astrologia natal individual ganha importância, enquanto autores como Doroteu de Sidon, Vettius Valens e Firmicus Maternus preservam e desenvolvem técnicas que posteriormente seriam recuperadas pela tradição medieval.


Séculos VIII–XII | Mundo islâmico

A grande transmissão medieval

Bagdá torna-se um dos grandes centros de preservação, tradução e desenvolvimento da astrologia antiga.

Autores como Masha’allah, Abu Ma’shar (Albumasar) e posteriormente Al-Biruni estudam, traduzem e desenvolvem a tradição greco-romana, combinando-a com conhecimentos persas, indianos e árabes.

É nesse período que diversas técnicas são aperfeiçoadas, incluindo astrologia horária, eletiva, mundial e diferentes métodos de divisão das casas.


~1000–1050 | Al-Biruni

Al-Biruni produz uma das mais importantes obras medievais sobre astrologia, o Book of Instruction in the Elements of the Art of Astrology.

Ao mesmo tempo, era um extraordinário astrônomo, matemático e geógrafo.

Aqui aparece uma característica importante da história: astronomia e astrologia ainda não eram campos completamente separados como seriam posteriormente.


Séculos XI–XIII | Espanha e Europa medieval

Textos árabes são traduzidos para o latim, especialmente em centros como Toledo.

A tradição helenística, que havia sido parcialmente perdida no Ocidente latino, retorna através das traduções árabes.

Ibn Ezra, Guido Bonatti, Abraham ben Meir ibn Ezra, entre outros autores, participam dessa transmissão e desenvolvimento.

A astrologia passa a fazer parte do currículo intelectual medieval juntamente com astronomia, matemática, medicina e filosofia.


Séculos XV–XVI | Renascimento

A astrologia volta a florescer na Europa

A invenção da imprensa facilita enormemente a circulação dos textos astrológicos.

Ao mesmo tempo, o Renascimento recupera manuscritos gregos e latinos diretamente, criando uma nova fase de estudo da astrologia clássica.

É também o período em que começa a grande ruptura cosmológica.


1543 | Copérnico

Nicolau Copérnico publica De revolutionibus orbium coelestium e coloca o Sol no centro do modelo cosmológico.

A astrologia não desaparece.

O que começa a mudar é o modelo astronômico sobre o qual ela estava tradicionalmente estruturada.


Séculos XVI–XVII | Kepler, Galileu e a Revolução Científica

Kepler praticou astrologia e chegou a produzir horóscopos. Galileu também elaborou mapas astrológicos.

Mas ocorre uma transformação fundamental: a astronomia começa a se separar progressivamente da astrologia.

Kepler desenvolve suas leis do movimento planetário, enquanto Galileu utiliza o telescópio para realizar novas observações do céu.

A antiga união entre astronomia + astrologia começa a se romper.


1687 | Isaac Newton

Newton publica os Principia Mathematica e estabelece as bases da mecânica clássica e da gravitação universal.

A partir daí, o movimento dos planetas pode ser explicado matematicamente por leis físicas.

É um dos grandes momentos da separação histórica entre astronomia científica e astrologia.


A REVOLUÇÃO TELESCÓPICA

E aqui entra a parte que faltava no seu cronograma.

Durante milhares de anos, a astrologia ocidental trabalhou fundamentalmente com os sete planetas visíveis a olho nu:

☉ Sol


☽ Lua


☿ Mercúrio


♀ Vênus


♂ Marte


♃ Júpiter


♄ Saturno

Então o telescópio muda o jogo.


1781 | Descoberta de Urano

William Herschel

Em 13 de março de 1781, William Herschel identifica Urano. Inicialmente, ele acreditava estar diante de um cometa, mas observações posteriores demonstraram que se tratava de um novo planeta.

Impacto astrológico:

A astrologia ocidental começa a incorporar um planeta que não fazia parte da tradição antiga.

Posteriormente, Urano passa a ser associado na astrologia moderna a temas como:

ruptura, revolução, independência, inovação, mudanças repentinas e quebra de padrões.

Aqui começa efetivamente a construção daquilo que chamamos hoje de astrologia moderna.


1846 | Descoberta de Netuno

Le Verrier, Adams e Johann Galle

Netuno é um caso ainda mais extraordinário.

Sua existência foi matematicamente inferida a partir das irregularidades observadas na órbita de Urano. Urbain Le Verrier e John Couch Adams calcularam independentemente sua posição, e Johann Galle o identificou em 23–24 de setembro de 1846.

Impacto astrológico posterior:

Netuno passa a ser associado à:

imaginação, dissolução, idealização, espiritualidade, fantasia, ilusões, inspiração e ausência de limites.


1930 | Descoberta de Plutão

Clyde Tombaugh

Em 18 de fevereiro de 1930, Clyde Tombaugh identifica Plutão no Observatório Lowell.

Curiosamente, Plutão foi procurado porque os astrônomos acreditavam existir um hipotético “Planeta X”. Posteriormente ficou demonstrado que Plutão era pequeno demais para explicar as irregularidades atribuídas a esse planeta.

Impacto astrológico:

A astrologia moderna passa a relacionar Plutão a:

morte, regeneração, poder, controle, destruição, transformação profunda, crises e processos irreversíveis.

Em 2006, astronomicamente, Plutão foi reclassificado como planeta anão, mas continua sendo utilizado por grande parte da astrologia moderna.


1977 | Descoberta de Quíron

Charles Kowal

Em 1º de novembro de 1977, Charles Kowal identifica o objeto posteriormente denominado 2060 Chiron.

Quíron não é um planeta. É um corpo do grupo dos centauros, com órbita entre Saturno e Urano e período orbital de aproximadamente 50 anos.

A astrologia moderna posteriormente incorporou Quíron, associando-o principalmente a:

feridas, vulnerabilidades, sofrimento, cura, transmissão de conhecimento e experiência adquirida através da dor.


Século XX | Consolidação da astrologia moderna

Com Urano, Netuno, Plutão e posteriormente Quíron, a astrologia ocidental passa por uma ampliação radical do seu repertório.

A astrologia moderna passa a trabalhar, além dos sete planetas tradicionais, com:

Urano → ruptura e revolução


Netuno → dissolução e idealização


Plutão → transformação e poder


Quíron → ferida e cura

É importante deixar claro que esses significados astrológicos não foram descobertos pela astronomia. Foram desenvolvidos posteriormente por astrólogos, através de interpretações simbólicas, observação de acontecimentos históricos e experimentação dentro da própria tradição astrológica.


Século XXI | A astrologia digital

Hoje, uma coisa que levava meses de cálculo pode ser feita em segundos.

Efemérides digitais, computadores, softwares, aplicativos, bancos de dados astronômicos e telescópios permitem calcular posições planetárias com uma precisão que os antigos jamais poderiam imaginar.

O que mudou foi a ferramenta.

A argila virou banco de dados.


O astrolábio virou software.


As tabelas viraram efemérides digitais.


O cálculo manual virou algoritmo.

Mas a estrutura básica da astrologia continua reconhecível desde a Antiguidade:

céu → posição dos corpos → relação geométrica → interpretação → previsão.

E existe uma diferença histórica fundamental que vale colocar no final do seu texto:

A astrologia tradicional trabalha com o céu conhecido pela Antiguidade: Sol, Lua e os cinco planetas visíveis. A astrologia moderna acrescentou novos corpos à medida que a astronomia os descobriu.

Isso, inclusive, deixa o cronograma muito mais interessante porque mostra que a astrologia não permaneceu historicamente congelada. Ela foi sendo modificada conforme o próprio conhecimento humano sobre o Sistema Solar mudou.

Uma versão ainda mais curta para fechar o post

Da argila ao algoritmo.

A astrologia nasceu da observação sistemática do céu na Mesopotâmia, foi transformada pela matemática e filosofia gregas, sistematizada por Ptolomeu, preservada e desenvolvida pelo mundo islâmico e posteriormente transmitida à Europa.

Durante quase dois mil anos, o sistema trabalhou com os sete planetas visíveis.

Então vieram os telescópios.

1781: Urano.


1846: Netuno.


1930: Plutão.


1977: Quíron.

E a astrologia moderna incorporou esses novos corpos, criando novos significados e novas formas de interpretação.

A tecnologia mudou radicalmente.

O céu observado pelos antigos virou um céu calculado por computadores.

Mas a pergunta continua praticamente a mesma:

o que está acontecendo no céu e o que isso significa para nós aqui embaixo?

 
 
 

Comentários


Posts Em Destaque
Posts Recentes
Arquivo
Procurar por tags
Siga
  • Facebook Basic Square
  • Twitter Basic Square
  • Google+ Basic Square

Grupo no Telegram

  • TikTok
  • YouTube ícone social
  • Facebook - círculo cinza
  • Instagram - Black Circle
  • Grey Twitter Ícone
Mapa Astral, Astrologia, Mapa Astrológico, Leitura de Mapa Astral, Sinastria, Previsões Astrológicas, Astrólogo

As orientações e publicações não constituem diagnóstico ou indicação de tratamento médico/psicológico de qualquer natureza. 

© 2011- 2024. Todos os direitos reservados a Saimagos Mentoria e Artes Divinatórias CNPJ 33.528.788/0001-62  

|Tel.: +551196690626 | Rua São Vicente 1071 -  Cotia SP - 06705-435 | astro@saimagos.com

bottom of page